The story of As Alminhas da Ponte · 3 min · Português

As Alminhas da Ponte — a tragédia da Ponte das Barcas de 1809 na Ribeira

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Avsha narrates a story about wherever you are — any street, in your language. Free to start, no account.

The story

Bem-vindos ao coração pulsante do Porto, aqui onde o granito das casas parece mergulhar diretamente nas águas cinzentas do Rio Douro. Eu sou o Avsha, e peço que parem por um momento junto ao muro, muito perto da imponente Ponte Luiz I. Olhem com atenção para aquele pequeno nicho em bronze, cravado na parede, quase sempre adornado com flores frescas e pequenas velas que tremeluzem mesmo nos dias de vento.

Este monumento é conhecido como as Alminhas da Ponte, e o que estão a ver não é apenas um memorial religioso, mas a cicatriz de um dos dias mais negros da história desta cidade. Recuem comigo no tempo, até à manhã de 29 de março de 1809. O cenário era de terror absoluto.

As tropas de Napoleão, sob o comando do Marechal Soult, tinham acabado de romper as defesas do Porto durante a Segunda Invasão Francesa. O pânico espalhou-se como fogo. Milhares de homens, mulheres e crianças correram desesperadamente em direção à Ribeira, tentando atravessar para a margem sul, em Gaia, onde acreditavam estar seguros.

Naquela época, não existia esta ponte de ferro que vêem acima de vós. O que ligava as margens era a Ponte das Barcas: uma estrutura precária composta por vinte barcas ligadas por correntes de ferro. Imaginem o caos.

O som dos gritos misturava-se com o troar dos canhões franceses que se aproximavam. A multidão, em massa, empurrou-se para cima das barcas. Mas a ponte não aguentou.

Sob o peso insuportável de milhares de corpos e o movimento frenético, as amarras cederam ou, segundo alguns relatos, as alçapões foram abertos para impedir a passagem do inimigo. O resultado foi catastrófico. Centenas, talvez milhares de pessoas, caíram nas águas geladas e traiçoeiras do Douro, morrendo afogadas sob o olhar impiedoso dos invasores.

Este baixo-relevo em bronze que vêem à vossa frente, da autoria do escultor Teixeira Lopes, pai, retrata precisamente esse momento de angústia. Observem as figuras que parecem emergir das chamas e da água, com as mãos erguidas num último apelo à misericórdia divina. São as almas dos que ali pereceram.

Para os portuenses, este local é sagrado. Reparem como as velas nunca se apagam. É uma tradição que atravessa gerações: os habitantes da Ribeira cuidam destas almas como se fossem da sua própria família, pedindo proteção e honrando a memória dos antepassados que deram a vida pela liberdade da cidade.

Ao continuarem o vosso passeio pelo Cais da Ribeira, levem convosco esta imagem. O Porto é feito de festas e vinho, sim, mas é também feito de uma resiliência profunda, forjada em tragédias como esta. Olhem uma última vez para as chamas das velas e sintam o peso da história que corre nas águas deste rio.

O Douro guarda muitos segredos, e as Alminhas da Ponte são a voz eterna daqueles que o rio nunca devolveu.

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