The story
Bem-vindo ao Paço dos Duques de Bragança. À medida que se aproxima desta imponente estrutura de granito, sinta a força da história que emana destas muralhas. Estamos no coração de Guimarães, o berço da nação, mas este edifício conta uma história de ambição e de influências que cruzaram fronteiras muito além destas montanhas.
Observe primeiro o perfil exterior. O que mais salta à vista são as suas trinta e nove chaminés cilíndricas de tijolo vermelho que se elevam em direção ao céu. É um aspeto invulgar na arquitetura portuguesa, não acha?
Este estilo, de inspiração senhorial da Europa do Norte, reflete as viagens de Dom Afonso, o primeiro Duque de Bragança. Filho ilegítimo de Dom João Primeiro, Afonso quis criar aqui uma residência que demonstrasse a sua imensa riqueza e poder, afastando-se do estilo austero dos castelos medievais tradicionais. Ao cruzar o portal e entrar no pátio central, deixe-se envolver pelo silêncio das pedras.
Imagine o som dos cascos dos cavalos e o burburinho dos servos que aqui trabalhavam no século quinze. O paço foi construído entre 1420 e 1422, mas o que vê hoje é o resultado de uma restauração profunda iniciada nos anos trinta do século passado. Durante séculos, após a mudança da família ducal para Vila Viçosa, este gigante caiu em ruína, servindo até como quartel militar e fonte de pedra para a população local.
Foi o regime do Estado Novo que o devolveu à sua glória atual, transformando-o em palácio presidencial e museu. Subindo aos salões superiores, a atmosfera torna-se solene. Repare nos tetos monumentais em madeira, construídos como se fossem cascos de navios invertidos, uma técnica que demonstra o domínio náutico português da época.
Mas o verdadeiro tesouro reside nas paredes. As Tapeçarias de Pastrana são, sem dúvida, o ponto alto da visita. Embora as que aqui vê sejam réplicas de uma qualidade excecional, elas narram com detalhe as conquistas portuguesas no Norte de África.
Observe os rostos, as armaduras e o caos das batalhas; é como ler um livro de história bordado a fio de lã e seda. Não deixe de visitar a capela, com os seus vitrais que filtram a luz de forma mística, criando um contraste com as salas de armas e o mobiliário pesado de época que decora os aposentos. Cada móvel, cada prato de porcelana e cada armadura conta a história de uma dinastia que acabaria por subir ao trono de Portugal em 1640.
Ao sair, olhe para o Castelo de Guimarães, logo ali ao lado. O contraste entre a fortaleza militar e este palácio requintado é o resumo perfeito da evolução de Portugal: da luta pela independência ao esplendor da corte. Aproveite este momento, respire o ar fresco da encosta e sinta-se parte da história viva deste lugar único.